12/02/10 - Otimismo em alta na construção civil


Os empresários da construção civil iniciaram o ano otimistas em relação ao aumento da atividade econômica do setor nos próximos seis meses. De acordo com a Sondagem da Construção Civil, divulgada pela primeira vez, ontem, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o indicador de expectativas sobre o nível de atividade ficou em 70,6 pontos, acima da linha divisória de 50 pontos, o que aponta perspectiva de aumento de de atividade do setor da construção civil. A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 22 de janeiro com 283 empresas do setor.

"O otimismo é particularmente elevado entre empresários de grandes empresas (78,8 pontos)", destaca o documento. O levantamento revela ainda um clima de otimismo entre os empresários do setor de construção com relação a novos empreendimentos e serviços, ao aumento de compras de insumos e matérias-primas e ainda com relação à contratação de trabalhadores nos próximos seis meses. Na comparação com dezembro de 2009, o documento mostra que houve crescimento do nível de atividade do setor ante novembro, com o indicador marcando 53,7 pontos.

"O (programa) Minha Casa Minha Vida é o grande vetor disso", afirmou José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Ele se referia ao programa lançado pelo governo no ano passado que prevê a construção de 1 milhão de moradias para famílias de baixa renda. O plano, segundo Martins, beneficia a parcela das construtoras dedicada à área imobiliária, que responde por cerca de um terço do setor de construção civil, formado também pelas áreas de obras públicas dos prestadores de serviços.

Aquecimento. Outro dado da sondagem indica que a atividade econômica do setor está aquecida. O indicador que mede o nível de atividade efetivo em relação ao usual ficou 53,2 pontos. No que diz respeito ao número de empregos, a Sondagem mostra que no quarto trimestre de 2009 houve crescimento nas contratações - com o indicador registrando 53,6 pontos - comparado ao terceiro trimestre.

A sondagem destaca também que a margem de lucro das empresas do setor foi mais que satisfatória no quarto trimestre, com destaque para as grandes companhias. As empresas também informaram que a situação financeira foi mais que satisfatória e que o acesso ao crédito foi fácil. De acordo com o levantamento, o principal problema enfrentado no último trimestre de 2009 foi a elevada carga tributária e o segundo maior problema, a falta de trabalhadores qualificados.

Para Renato da Fonseca, gerente de pesquisas da CNI, os números da construção civil, apesar de fortes, não levantam preocupações inflacionárias. "O que temos que observar mais é o crescimento da atividade na comparação com o usual para o mês, e ela está apenas um pouco acima dos 50 pontos", afirmou Fonseca.

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